Terminei hoje a leitura d' A Jangada de Pedra. É um livro que nos dá um nó na cabeça, que nos põe a ansiar sobre o que irá acontecer a seguir... até à última página. Ficamos sem saber o desenlace final, mas parece-me que não era esse o objectivo, ao contrário de tantos outros livros.
Um dos excertos finais diz:
"(...) o cão parece hipnotizado pelo olhar de Pedro Orce, fita-o, de cabeça baixa e com o pêlo encrespado como se fosse defrontar-se com todas as alcateias do mundo, e então Pedro Orce disse distintamente, palavra a palavra, Já não a sinto, a terra, já não a sinto, os olhos dele escureceram, uma nuvem cinzenta, cor de chumbo, passava no céu, devagar, muito devagar, Maria Guavaira com levíssimos dedos fez descer as pálpebras de Pedro Orce, disse, Está morto, foi então que o cão se aproximou e gritou, como se diz que uma pessoa uiva."
E hoje, também, a notícia. José Saramago partiu para não mais voltar. Mas deixou uma herança enorme a todos nós. Há que saber aproveitá-la.


